MINHA TAPERA

Um poema de CLAIRE FELIZ REGINA

Minha tapera,
Que linda que era
a tapera onde nasci.

Minha Campo Grande, meu Mato Grosso do Sul
meu bairro do Amambaí
o que vocês fizeram com a minha tapera
que não está mais aí?

Voltei pra vê-la mas não vi mais
ela não estava mais lá.
Puseram cidade em cima dela.
Sepultaram a minha tapera
debaixo de arranha céus.

E as minhas árvores?
Também não vi mais,
meu pé de manga, meu pé de araçá
não tinha mais nada.
Também não estavam mais lá.
E o meu rio que passava bem aqui,
onde eu brincava com as outras crianças?
Crianças que eu nunca mais vi.

O seu rio ainda existe,
mas o cantar de suas águas ninguém mais ouviu.
Também está debaixo da terra canalizado, sepultado,
assim como está sepultado
o seu passado de que aqui ninguém se lembra,
que aqui ninguém viu.

Sou uma estranha, sou uma ausente
na cidade onde eu nasci,
foi a minha triste conclusão.
Mas e a minha tapera?
Dela eu não abro mão.

Quero achar a minha tapera.
Procurei com os olhos por isso não vi.
Quando olhei pra dentro com os olhos do coração
era aí que ela estava.
Achei a minha tapera, enfim.
Não era mais eu quem morava nela.
Agora, era ela que morava dentro de mim.

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