EXÍLIO

Um poema de JOSÉ DE CASTRO*



Pouco sei de mim
e desses mistérios que a vida
também não decifra.

Atrevo-me ao susto
e quedo-me em estilhaços
no colo nas incertezas
a se multiplicar por aqui.

Nem sei se um dia
fui um ou dois ou quantos
milhares, talvez nenhum.
Hoje pareço ser aquele
que se perdeu nos descaminhos
da noite sem fim, sem lua, sem estrela,
sem vela, sem nada. 

Quantas vidas, quantas idas e vindas?
Quantas montanhas, rios, vales,
poesias, palavras, lamentos
e de quanto silêncio ainda preciso?

Revela-me tu o segredo da
estrada que se bifurca, hesita,
e vai e vem e nem sabe mais para onde,
se prossegue ou se retrocede e me responde:
existe um caminho de volta?  
Tu, que já viveste em agonia de imemorável desdita
e percorreste o escuro que habita o mundo
desde antes de tudo.

Talvez saibas de mim.
Vem e me conta quem sou.
Prometo não fazer alarde, nem que me digas
ter sido eu teu verdugo ou teu amante, teu pai,
tua mãe, amigo, vizinho ou parente distante.
Ou que nada fui de ti e tampouco de alguém.

Quero apenas por um instante
ouvir dos teus lábios
um sinal de que a noite escura
vai acender olhos de estrela e piscar um desígnio
que me faça acordar desse pesadelo
que me exilou para longe de mim.

• 
*José de Castro, jornalista, escritor, poeta. Autor de “Apenas palavras” e “Quando chover estrelas”. Escreve também para crianças. Membro da SPVA/RN, da UBE/RN e da ALACIB-Mariana. Contato: josedecastro9@gmail.com


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