ABSTRATO

Um texto de LILI RIBEIRO 

E o peito apertado juntando os pedaços de uma vida traçada e quebrada.
Não sabia onde encontrar forças pra arrancar de dentro de si, tantas imagens desenhadas em cores múltiplas que se tornaram transparentes.
Depois de olhar por longas horas da janela, pensando numa possibilidade de voltar.
Mas não sabia o caminho.
Decidida, tirou ali mesmo suas roupas, uma de cada vez. Diante ainda da janela, olhou para o céu. A lua estava ainda bem cheia, mas um frio cortante entrava sem pedir licença. Suas roupas continuavam abaixo dos seus pés.
Admirando a lua, enrolou seus cabelos em nó. Virou- se é foi para o chuveiro. Deixou que a água morna lhe banhasse.

Lentamente, começou a cantar baixinho e suas lágrimas se misturavam as águas que caiam sobre o seu corpo. Aos poucos, a música foi tomando conta de sua alma e lindamente, soltava a voz, libertando a alma. Já noite, a luz do luar invadia a casa. Seu pranto, seu canto, consolo e liberdade. Amanheceu envolvida numa toalha branca e os raios de sol, lhe aquecia. Te apronta. Um novo dia, um novo tempo te espera.

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