A VERVE DE TEKA ROGEL

A poética de TEKA ROGEL, no domingo da Revista de Ouro
CÂNTICO PARA MARIA!

Estendo as mãos em branda amargura
Desejando que o mar dos meus olhos encontre
A ardente estrela e nela descanse
A minha dor, extrema loucura.

Se o céu é distante vejo-o incerto
como o futuro que a mim se aflora
Desço ao hades procuro a razão 
Não tenho ilusão, jovem senhora.

Mas se asas eu tivesse como o forte condor
Cortaria o espaço e o lívido vento
Seria eterno como eterno é o tempo...

Ao mar eu desceria jovem senhora
Aos teus pés eu poria como faço agora
O céu , as estrelas, a luz, a aurora!


ÊXTASE!

Se me deito em teu leito e
me aqueço em teus braços,
o calor dos abraços
me faz inflamar.
Eu te quero, me queres
Te aprovo, me aprovas,
nossas bocas sedentas
me faz delirar.
Nossos corpos rolando,
gemendo, suando,
êxtase final.
Cada qual se abandona 
à própria loucura
estranha tortura
não curas meu mal.


EU!

Eu sou a fúria tranquila
Desvairado pensador
Sonho assombroso e preciso
Do mais louco sofredor.

Sou abrigo devorado
Na mão que fere e esquece
Sou grito de eutanásia
Mentira que embrutece.

Sou areia movediça
No trono insano da mente
Sou chama do teu sheol
Sou tua lágrima quente.

Sou a própria natureza
Que grita, lamenta e chora
Verdade e incerteza
Sou noite buscando aurora!


CALIENTE!

E Júpiter deitou-se comigo,
fizemos do amor inesquecíveis
momentos.
Na languidez dos beijos
infindos tormentos.
E Júpiter derramou
em taças de cristais
todo o amargor de
um adeus.
Entre dunas, aos olhos
de Zeus, sorvemos soluços
e ais.
Desejos, ardências,
nudez e abraços.
Galopamos nas asas do vento,
sementes jogamos no tempo.
Dormimos nos braços da sorte
nos enlaçamos na morte,
entre amores imortais.


AH, ESTE AMOR!

Todo este amor é meu desatino
Produz lagares dentro do meu peito
Transborda mares nas canções do leito
Nas noites tristes em que me declino.

Todo este amor que se fez bendito
Criou raízes entre sol e lua
Lavrou em prosa, se fez infinito
Na verve lânguida de minh'alma nua.

Todo este amor tem como resposta
A força dos mares a fúria dos ventos
A alma rasgada em ferida exposta...

todo este amor escravizado no tempo
De um poeta triste que esta dor suporta
que lança aos ares seu cruel lamento!

  
Abençoadas flores humanas
sejam livres teus pensamentos,
sejam mansas tuas palavras
sejam sinceras tuas ações.
Teus passos te façam flutuar.
Teus abraços te façam enlaçar e,
se não tiveres verve ante os
sofrimentos dos homens,
apenas te enraízes e
floresças em diferentes
jardins!


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