A POÉTICA DE FERNANDO TANAJURA

Quatro poemas do Poeta FERNANDO TANAJURA

SOU TUA

Sou tua metáfora
Sina da tua sina
Às vezes tua diáfora
A luz que te ilumina

Sou tua beleza
Estrela, sé e lua
Coragem e afoiteza
Sou tua verdade crua

Sou tua estrada
Fiel e pioneira
Se tu ficas calada
Sou tua voz primeira

Sou sempre tua ave
Delta de tua asa
Se voas na minha nave
O nosso amor arrasa

Sou tua inspiração
Sou tua fantasia
Sou tua oração
Tua rima, tua poesia!


 ♣


DESTINO VAGABUNDO
  
Se o meu destino é torto, eu bem sabia
Não precisavas tanto me aclarar
Vivi uma vida vã, só e vadia
Não é agora que eu vou mudar

Sou viajante desta vida impura
Em vias dos vencidos e outros vícios
Não há felicidade que perdura
Para quem vive sempre em precipícios

Chegando perto ou longe de distâncias
Sou um perdido que não escuto o sino
De igrejas com orações em dissonâncias

Roendo o próprio osso em desatino
Eu vivo mil amores sem importância
Andando neste mundo sem destino


BAGDÁ DOS MEUS SONHOS

Enquanto isso,
sonho com a Bagdá
das mil e uma noites,
dos califas, das odaliscas,
dos camelos e das tâmaras secas;
sonho com o céu cor-de-rosa,
com as noites estreladas e
com a lua derramando seu choro de prata

Sonho com as silhuetas
das palmeiras enfeitando os horizontes do deserto

Sonho, sonho muito e
no meu sonho não existe bombas
nem choros nem sedes nem fomes nem mortes

Sonho com um lugar que talvez
não existe mais

 ♣

UM TANTO DE VERDADE

Um tanto de verdade
em uma matemática infinita:

buscando amores
em incógnitas,
somamos, diminuimos,
multiplicamos e dividimos

raízes são extraídas
nos tempos de lamentações
e em restos de saudades
• 

© Fernando Tanajura

Nenhum comentário:

Postar um comentário