A POÉTICA DE FERNANDO PAZ

Três poemas do Poeta carioca FERNANDO PAZ

A PAIXÃO E O AMOR

A paixão aquece, mas queima
O amor transborda, mas nutre

A paixão é intempestiva como a chuva
O amor sereno como uma brisa

A paixão se apodera
O amor se doa

A paixão condiciona
O amor liberta

A paixão teme
o amor acredita

A paixão fantasia os defeitos de perfeição
O amor transparece ser perfeito apesar dos defeitos

A paixão anseia
O amor espera

A paixão procura
O amor encontra

Para a paixão sempre falta uma parte
Para o amor, toda parte está inteira

Para a paixão sempre há um porém
Para o amor, o único porém é não amar

Nem toda paixão vira amor
mas todo amor nasce de uma paixão
ANÚNCIO
Doa-se um coração
Seminovo
Com poucas avarias
Algumas fantasias
Mas que ainda pulsa com vigor

Tem bluetooth de empatia
Ritmado com MP3 interior
Entrada USB de sentimentos
E tem inteligência artificial
Pois independe da vontade do usuário

Equipado com WI-FI universal
Sincroniza-se com qualquer rede de sensibilidade
Grande capacidade de memória interna 
E milhares de megapixels de arte 

Um design retraído
Apresenta uma ligeira falha de comunicação
Compensada por uma ânsia de expressão poética
Longa durabilidade da bateria
Com reserva adicional por luz lunar

Doa-se um coração
Por não me servir mais
Mas certo de que atenderá
Quem de um carece


O GOZO

Não quero gozar de você
Quero gozar com você!
Porque gozo é rima, é riso e explosão
Todo resto é engodo e enganação!
Gozar é diversão, mas não é pilhéria
É perder o ar e descobrir uma nova versão
Gozo não é pecado, pecado é não gozar
Não é profanação, nem luxúria
É paraíso e redenção
Quem teme a expressão gozar
Ou nela vê um absurdo
Quem chega a se chocar
E acha que é vocabulário chulo
Não entende o que é gozar
Que vai além do sentido e da palavra
De quem é capaz de se arrepiar
Apenas com um olhar sagrado!

•••

Mais do Poeta FERNANDO PAZ

Moro no Rio de Janeiro, tenho 34 anos, arquiteto e designer de interiores.  Sou amante e amador nas artes em geral (desenho, literatura e música). A timidez me empurrou para a escrita pela necessidade de falar e dividir não apenas os sentimentos silenciados, mas as reflexões sobre as relações humanas! Comecei escrevendo as palavras e hoje são elas que me escrevem!

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