POETA DE OURO • 3ª EDIÇÃO

Nesta edição com o Poeta paulistano RENATO BAPTISTA
Paulistano, Marketeiro e Publicitário, RENATO BAPTISTA é um poeta inquieto, atuante e incentivador de novos e antigos poetas. É fundador e presidente da Casa da Poesia (http://acasadapoesia.com.br/). Há 15 anos, quando recomeçou a escrever, segundo depoimentos, após um enorme hiato inerte, ele se definiu como um curioso e intrometido na arte do poetar. Queria aprender, e passou a estudar formatos poéticos diferentes. O poeta gosta de cravar poemas com versos livres e brancos, alguns, chamados de concretistas, mas na fala dele são “POEMAS RENATISTAS”. O paulistano também escreve crônicas e contos à mão livre. Para ele todo poema é como o amor:  um diamante que sendo verdadeiro é eterno. Em sua visão, o poema não precisa estar amarrado à métricas e regras... A temática do amor é recorrente nos versos Renatistas.  Segundo suas palavras, ele inventou um formato poético batizado de “Poemini”, o qual descreve como um exercício poético para a inspiração, que foi abraçado por muitos poetas virtuais. Para Renato, se um poema for lido por apenas uma pessoa e servir para ela, de alguma forma, cumpriu o seu objetivo. O Portal “A Casa da Poesia” tem 8 anos de vida e possui suas variantes nas mídias sociais como Facebook e YouTube. Renato Batista é Vice-Presidente da Academia de Letras do Brasil (Seccional São Paulo) e foi um dos fundadores do Virtualismo Literário.  Por sua poética rica e pelas brilhantes contribuições e incentivos ele é um Poeta de Ouro...


BOCA A BOCA

Boca a boca
Corre solta
A história
Do amor
Segredo
Corre rápida
Durante
A madrugada
Pela alameda
Dos sonhos
Grudada
Nas asas
Dos anjos
Brincalhões
Boca a boca
Beijo seus beijos
Ocos
Com sabor
De framboesa
Selvagem
À luz de velas
Que se derretem
No candelabro prata
Vivo e respiro
As sombras
Do seu corpo nu
Que dançam para mim
A dança do ventre
Suas imagens
Nas paredes
À minha volta
A fazem
Múltipla
Triplica-se o seu calor
Que me envolve
Por ondas
E a sua boca
Me anuncia
O seu amor
Lindo, incandescente
Entorpecente.

      💐💐💐

ALMA GÊMEA

Eu fico triste toda vez que a faço triste
e o meu coração não sabe
ou não pode evitar.
Eu fico triste toda vez que você brinda
à saúde de alguém e eu sei,
você não pode evitar.
E é aí então que eu me destroço,
vejo meu espírito implodir
e os meus olhos se enchem de água.
De uma água que não lava nada,
não evapora e simplesmente permanece
até enrugar tudo o que eu sinto por você.
Então eu fico triste.
Por isso e porque você dançou
aquela música que eu nunca escutei,
com um alguém que eu nunca vi.
E eu fico triste porque aquela música
tinha que ser nossa.
Linda, eterna, penetrante.
E aí sim,
nossos espíritos dançariam livres e coesos,
de mãos dadas e competentes.
E o brinde seria nosso.
O mundo seria nosso.
Você e eu.
E então o meu coração
iria saber evitar fazê-la triste,
e os meus olhos iriam sorrir
para os seus,
se estes ainda, soubessem esperar.

       💐💐💐
  
POEMAS NÃO FALAM
  
Brilho nos olhos
Que brilham de paixão
Coração explode
Em intensa entrega
Esmeraldas brincam
Rolam, misturam-se
Colorem as pérolas
Lançadas pelo seu olhar
Forma-se um tesouro
A cada toque sutil
A cada beijo macio
A cada gosto sublime
Que você me passa
E o amor se fez mais bonito
Lindo que só ele
Nessa doidera
Chamada desejo
Rolamos cama abaixo
Por sobre os lençois
Agarrados, grudados
Para não nos perdermos
Quedas d’água, cachoeiras
Vento que balança a cortina
Ou são espíritos...
Na nossa cabana
O ar quente perfumado
Intenso e úmido
Sensações riscam nosso céu
Com carinhos-segredos
O mundo se vira
De ponta-cabeça
Revira e volta
De pernas para o ar
Peles que se tocam
Arriscam magias no escuro
E o nosso mundo se forma
Se transforma.
Ainda bem que poemas não falam...

       💐💐💐

SANTA POESIA

Tem brilho intenso
Essa minha santa
Minha santa que grita
Que apela, se exercita
Santa do sorriso franco
E da gargalhada doce como o mel
Boca linda como poucas
Ela tem, aquela danada
Santa que é poesia
Santa poema
Santa morena
Santa que me guia, me alucina
Moça santa poderosa
Cheia de vontade, cheia de se impor
De jeito cativante
Santa como poucas
Que me leva às nuvens
Como uma anja
Em suas asas acolhedoras
Olhando nos meus olhos
E dizendo que sou dela
Santa, minha santa
Que parece, assim
Uma santa da cabeça oca
Santa moça
Que me exime de pecados
Que me acolhe em seus braços
E me beija o sorriso
Que fica com gosto de menta
Como se hoje... fosse amanhã.
Santa poesia que me conduz no dia a dia.

      💐💐💐

CLAROS E ESCUROS NA TERRA DE NINGUÉM

Uma luz fraca
Penetrou pelo vidro
Sujo e quebrado
Da janela que não abre mais
Levando a sombra
Do lustre carregado de poeira
Até o que restou
Daquela parede azul
Que dividia a sala
Do que talvez fosse um quarto
Que não existe mais
O telhado que sobrou
Só cobre aquele canto
Daquelas ruínas
Sentado numa cadeira de balanço
Empoeirada e solitária
Que havia sobrado ali
Ainda escuto os gemidos surdos
E vazios
Os gritos de dor e de agonia
Daquele povo que ali morava
Vultos passam por todos os lados
Como que querendo salvar
Os seus passados
O odor é terrível...
Cheiro de morte
E esgotos abertos
Misturados com o cheiro
Azedo da terra poluída
E com a umidade da destruição
Olhando pelo buraco da janela
Vejo a rua fantasma
Sem alma
Tudo revirado
Num emaranhado revolto
De uma explosão incandescente
Espíritos vagam para cá
E para lá... sem rumo
Carregando nos braços
Os seus filhos perdidos
E ainda desesperados
Pela morte repentina
O vento sopra forte
Levantando nuvens de poeira
E sofrimento
Calor e frio se misturam
Rolos de amargura
Formam-se nas calçadas destruídas
O sol ali é pálido, sem força
E o será assim para todo o sempre
Tornando a cidade luz e cor
Em uma sucessão de pretos e brancos
Claros e escuros
Lúgubre
Com aparência de chacina
A cadeira de balanço range
A cada movimento meu
Como uma música triste
Com notas doloridas
Nada mais há por se fazer
Nem história nenhuma
Pode ser contada
A morte levou aquela terra
... e o que sobrou de tudo aquilo
Por ordem de Deus
Tem que ficar ali
Por toda a eternidade
Como prova viva da desastrosa
Incapacidade humana
De lidar com a Paz
... depois que eu fui embora
Nunca ninguém mais foi até lá
E nunca mais se viu a sombra
Do lustre empoeirado
Na parede azul
Há rumores pelo mundo todo
De cânticos tristes
Que viajam com o vento
E chegam aos ouvidos
De poucas pessoas
Em um determinado dia do ano
Todo ano
Dizem que vem da Terra
De Ninguém...
Eu sou uma delas...

       💐💐💐
  
MALABARISMOS

Embriagado
Ferido
Pela agonia
Da distância
Enquanto
Os choros
Inundam
As almas
Que me cercam
De mãos dadas
Como cura calada
Que não vinga.
Meu bálsamo
É você
Minha eterna
Lembrança
Meu amargo
Sonho
Vivido
Na insônia
Insana
Que me abraça
E me beija
Sem pena
Sem medo
Da réplica.
Enlouqueço um pouco a cada dia evoluindo os malabares que me tiram das mesmices de cada dia... de cada noite sem você.

       💐💐💐
  
SONHOS INACABADOS

Hoje acordei de sobressalto
Passei a mão nos cabelos
E penteei meus sonhos
Olhos cheios de areia
Pediam um café
E meu bocejo me levantou
Meus chinelos estavam longe
Lá...
A barba por fazer coçava meu rosto
Quando encostava na gola suada
Da camiseta amassada como meu rosto
Acordei o dia e contra mim
Estava o sol que insistia
Em me bagunçar o olhar lacrimejante
Preparei, enfim, minha xícara de café
Foi difícil
Porque ela se escondia de mim
Aos goles eu a venci
E agora eu já dava passos conscientes
Enquanto minha cama ainda dormia
Desafiadoramente, como sempre
Adorava me mostrar esse contraste
Para que eu me sentisse culpado
Por não abraçá-la mais
Dei bom dia ao dia
Escovei os dentes
E banhei meu corpo, agora nu
Água escorrendo aos prantos
Lavava meus sonhos inacabados.
Comecei a viver mais um pedacinho da vida...


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