A POESIA DE NILSON VIEIRA MORENO

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BALEIAZUL

se eu morro chorarão no meu velório
e anotarão meu nome nos jornais
dirão “foi quase um santo esse rapaz
um lorde, e de um talento tão notório”

esgotarão comigo o repertório
de loas, de elogios imorais
repetirão seus velhos rituais
diante de uma cova ou crematório

se eu morro, que a cabeça dói de triste
não ouço mais a voz que tanto insiste
no mar de sofrimento que há na vida

se eu retribuo o olhar do precipício
me largo de uma vez, e foi-se um vício
levando meus demônios suicidas.


DA DIARREIA DE D.PEDRO I

numa mula, e co uma bruta diarreia
nosso príncipe D. Pedro enfim se zanga
lendo a carta, e ali, às margens do Ipiranga
resolveu posar pra história e pra plateia

se sentindo a mais rainha da colmeia
solta um berro pra juntar os seus capangas
sobe um morro, tira a espada e solta a franga
diz "nem morto abdicarei de minha aldeia

vou seguir esta novíssima tendência
─ impressiona como a Europa anda mudada ─
vocês morram pela minha independência

e eu não volto, reino aqui, não pega nada
que se cumpra, diga ao povo, dê ciência
com licença que eu vou dar outra cagada"


PEQUENOS DEFEITOS

pois eu nunca tive defeitos pequenos
há tempos não peno sonhando-me o eleito
exceto uns senões sou até bom sujeito
tirando o sem jeito até sou mais ou menos

o réu mais direito a mim mesmo condeno
confuso e sereno confesso e suspeito
posando de ingênuo meu caos é conceito
demais contrafeito do próprio veneno

sou juras e juros cobrados na fonte
desculpas aos montes e enormes securas

temendo a censura que vem do horizonte
no meio da ponte meu salto procura
que a própria paúra por fim se amedronte
e um verso desponte de cada fratura


ANIVERSÁRIO

valeus, meus camaradas, agradeço
as felicitações, suas lembranças
a gente vai ficando e o tempo avança
deixando-nos finais e recomeços

o tempo passa, lava e cobra o preço
e eu pago, muito bravo co a cobrança
por isso fico velho e mais criança
me lembro mas já nem me reconheço

e a gente é tão feliz que fica triste
por existir tão pouco – o tempo existe!
faminto, impiedoso e solitário

melhor deixar pra lá, que a gente surta
vontade é muito longa, à noite, curta
eu vou comemorar o aniversário!


REPETIDO

meu soneto será fotografia
do cara que repete a cara feia
pingando lento, cá da minha veia
pra folha de papel. e todo dia

repito esse processo, todo dia
o mesmo movimento se encadeia:
dou meia volta e volto, volta e meia
ao ponto de onde a pena partiria

se escavo a fossa afunda, nunca acaba
e lá no fundo o mundo me desaba
a tudo inunda a mágoa na cabeça

soneto me assimila o sem sentido
simula e me reflete repetido
registra pra que eu lembre ou que me esqueça


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