SILÊNCIO BARÍTONO

Um poema do Poeta brasiliense RADYR GONÇALVES

... Ouço o eco barítono da voz do meu silêncio
Eu tenho angústias que não cabem em poemas
Verdades que não cabem em novelas
Mentiras tantas, lembranças gastas, rasuras de passado...

Meu pecado é alado
Meu sonho era o sonho de um Aladim extasiado diante de uma lâmpada
A mágica era sonhar, mas já não sonho
Ponho-me diante de um verso
E apenas sibilo

Eu falo do silêncio como se falasse de um vulcão em erupção
Eu não tenho uma Rosa que me ame
Eu não tenho um arco que me arme
Eu não tenho um grito, um canto, um alarde
Eu só tenho monótonos domingos e cicatrizes em forma de agroglifos...

Meus erros não dariam um enredo de escola de samba
Meu medo descamba mundo a fora de mim
Não tenho um setembro, uma ninfa, um jasmim
Minha utopia era colher primaveras em campos místicos
Dormir em meio aos rústicos luares artesanais
Singrar oceanos, jardinar quintais...

Mas o meu sonho tornou-se pó, sol que se desfaz
Diante dos primeiros raios matinais

Meu poema se perde na cena
Meu barco definha no cais.

Nos primeiros raios de uma manhã natimorta
Meu poema se perde na cena

Nem o vento bate na porta...


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