SETE POEMAS ERÓTICOS DE JOSÉ DE CASTRO


A MELODIA DOS TEUS GEMIDOS* 

A melodia dos teus gemidos
me chega aos ouvidos
em sol maior
quando tocas em si,
quando tocas lá.

Lá onde dormem
e se acordam as delícias,
no vale dos sonhos perdidos. 

Suaves arpejos
dedilham delírios,
acordes, desejos.

Sou maestro regido
pelo teu gozo tanto,
rendido inteiramente
pelo encanto
dos teus beijos.

Tocas lá. 
E ouço teus gemidos,
ecos tangidos, murmúrios,
sussurros feridos na luz do luar. 

CLAVE DE BEIJOS*

Meus dedos
em arpejos
tiram acordes
suaves de ti.
E meus lábios
em toques
delicados
vão regendo
os teus 
gemidos
em coral
de desejos
cantando
afinados
com os sons
apaixonados
de deliciosos
beijos.

AS CORDAS DO TEU CORPO*

As cordas do teu corpo
têm o timbre exato
dos acordes do delírio táctil
que me fazem à cor dar um tom azul
de arrepios em blues. 

Se me tocas
tanges-me a lira da poesia
e arranhas a sinfonia rouca do tempo
pouco
que ainda tenho para sonhar.

Se te toco
sou maestro tosco,
louco apenas para a tua 
melodia, ao som da lua, 
dedilhar.

SINFONIA DO AMOR

Minhas mãos tocam
As teclas do teu corpo
E pingam arrepios pianos
Delicados sonidos
De violinos que esticam
Os sentidos para além do divino
E teu corpo estremece ao som
De rouco violoncelo
E somos dueto de cordas e teclas
E tremor de taróis de veludo
E somos bemóis
E sustenidos de sol
Em clave de lua
E gemidos de estrelas
Acima de tudo
E o som desse amor
Explode na garganta
Da guitarra louca
E nas costelas da harpa rouca
Percorre em calafrio
O arco do teu corpo
Que se verga e vibra na sonata
De fagotes que singram
Afagos de fogo no
Teu lânguido corpo alongado
No êxtase de grave oboé
E na flauta transversa
Em duelo de sax, teu sexy
Sexo me envolve, me cerca,
E o teu desvario atravessa
Os limites feito grito
De trompete alucinado
E somos dois em um só transe
Por entre milhares de sons
Regidos pela tempestade
De metais em relampejos
No rumorejo de tambores
De desejos inconfessos
Dançamos a melodia dos corpos
E sopro um beijo de mel
No bocal da tua boca
E a tua língua e a minha
Afinadas em mesmo céu
Fazem sinfonia e seresta
Volúpia, tesão que se orquestra
E a festa, noite adentro, continua
Nua, nua, a minha melodia e a tua.


NA MADRUGADA

Por entre os lençóis,
em leve sonata,
teus gemidos em bemóis.


VISAGEM

Ao contemplar
os teus seios,
roda o mundo,
fico tonto,
gira tudo,
entro em órbita,
e fico mudo.



ABRAÇO

Num abraço cabe
o voo do pássaro
e cabe o meu carinho
quanto te enlaço
e me faço de teu ninho.
Num abraço
cabe a leveza
o toque e o amor
que eu te faço.
Cabe o desenho
da ternura que
em ti eu traço.
Num abraço cabe
o que há de mais belo
entre a Terra e o espaço.
Num abraço cabem
milhares de carícias
e de gozos quando
te beijo gostoso e
em ti me desfaço.

--------------------------------------------------------
*Estes poemas estão no livro APENAS PALAVRAS, Natal: CJA, 2015. Os demais são inéditos.

José de Castro, jornalista, escritor, poeta. Autor de APENAS PALAVRAS e QUANDO CHOVER ESTRELAS. Membro da SPVA/RN, da UBE/RN e membro correspondente da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil – ALACIB, Mariana/MG. Contato: josedecastro9@gmail.com



Nenhum comentário:

Postar um comentário