Sete Poemas de decristo


01

o amor sempre
nos aceita.

mas, vez ou outra,
nos açoita.


02

há uma pitada de sal
em toda saudade.

fosse boa de verdade,
seria doce.


03

ao sair de casa,
ponha sempre seu melhor rímel.

mas se o coração, porventura,
lhe passar a perna,
por que esperar a luz no fim do túnel?

erga a cabeça e saia outra vez,
mas leve a lanterna.


04

nos olhamos
por inteiro,

nos falamos
sem meias palavras,

terminamos
num quarto.


05

o cravo brigou
com a rosa.

foi uma mensagem
indecorosa,

grupo errado.


06

basta uma vasilha
e empurro a felicidade
seriguela abaixo.
  

07

entre o cego
e o apego,
o tamanho do ego.


decristo


Marcelo de Cristo, ou simplesmente decristo (como costuma assinar seus poemas e escritos) é poeta natalense e também professor e formador de professores de inglês em cursos da Universidade de Cambridge (CELTA), atuando na formação continuada de professores de língua estrangeira nas redes pública e privada Brasil afora. Escreve uma coluna no blog da Editora Richmond/Moderna, além de poemas curtos, publicando-os em sua página pessoal no facebook. É autor da primeira trilogia cromático-poética potiguar: “tons de ver-te” (Jovens Escribas, 2015), “tons de amar-ela” (Jovens Escribas, 2016) e “tons de ver-melhor” (Jovens Escribas, 2017 – no prelo). É membro da SPVA-RN, tendo participado como convidado também da Coletânea de Poetas da UBE-RN 2015. Seus poemas também podem ser vistos circulando nas revistas Kukukaya e Folha Poética. Contribui ativamente com três projetos literários de incentivo à Leitura no estado: a Ação Leitura, a Caravana de Escritores Potiguares e o Poetas na Escola.  

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