SETE POEMAS DE ADILSON COSTA


DEIXANDO O POETA AFLITO


Não sou repentista não
Mas tento fazer bonito
Conto as estrelas do céu
Mudo a curva do infinito
Tiro a rima da toada
Deixando o poeta aflito.
  


COMO VEJO O AMOR


Vejo o amor vestir-se de sonhos,
feito os véus de cordilheiras
respirando o bulício campestre,
para então beijar o ventre da mata desnuda...

Outras vezes,
chega espalhando odores de poesia,
como fosse uma carruagem de rosas
rodeando os castelos de todas as nossas quimeras...

No rodopio de gaivotas bailarinas,
que todas às tardes rabisca de azul
os céus da nossa saudade...

Vejo-o nos oceanos majestosos,
cuspindo espumas nas varandas solitárias,
como fosse um espelho de magia,
refletindo a silhueta de um suntuoso luar...

No formato de um sorriso
ou nas gigantescas cachoeiras de lágrimas,
que desaguam os seus desencantos sob a égide do ciúme,
sem jamais se desvencilhar de todos os poetas...

Só mesmo o amor para multiplicar constelações e poesias...



O FEITIÇO DA PAIXÃO (OS CISNES DIURNOS)


Se todos os cisnes do lago encantado
Tombarem cobertos do véu da loucura
Nem mesmo o feitiço desfaz partitura
Abrindo as comportas a todo o pecado.

Da face materna se fez o alagado
No espelho do encanto a virar desventura
No sol vira cisne de imensa brancura
À noite enfeitiça o maior principado.

Mas vem outro cisne de Odile chamada
Vestida de Odete na noite estrelada
Tentando enganar o destino que um dia,

Brotou no castelo a semente divina
Ao vir que a mentira jamais se germina
Fazendo seu lago virar poesia.


A LUA BORDA BONITO


Uma bola de cristal
Refletindo na cascata
O doce luar de prata
Silente em seu pedestal
Soberana e colossal
Coberta de um belo véu
Faz as nuvens de chapéu
Com o seu brilho infinito
A lua borda bonito
Na passarela do céu.

Jogando as cores nas telas
Sem a tinta desbotar
E um vate então a chorar
Molhando as suas janelas
Seus lenços são sentinelas
Como se fosse um troféu
A noite vira um escarcéu
Deixando o poeta aflito
A lua borda bonito
Na passarela do céu.

Deixando apenas um fio
A lua parte apressada
Por trás da noite estrelada
Parece estar de perfil
A brisa causa arrepio
Deixando as nuvens ao léu
Parece que é de papel
Ou num filme em fotolito
A lua borda bonito
Na passarela do céu.

Mote de: Miracy Farias
Glosas: Adilson Costa

           
A ÚLTIMA INSTÂNCIA

Corte de apelação,
Defensoria Particular gratuita,
composta de paladinos
com dedicação exclusiva...

É certo que o tribunal por vezes
anula sentenças exaustivamente
aplicadas a pequeninos réus indefesos,
a fim de corrigir distorções,
deveras, mas de outras tantas,
dizem fazer vistas grossas
à deficiência visual da poderosa Têmis!
           
Sabemos que o código penal
toma a forma de faces enrugadas e cabelos grisalhos,
mais lembrando um retrato da imensa cortina celeste
das tardes ensolaradas...

Os argumentos vêm de sorrisos apelativos,
por diversas vezes,
apontando esses mesmos pequeninos
em situações nada confortadoras...

Depois da apelação ser acolhida,
sorrisos, abraços, um pequeno sermão
e de volta algodões doces e passeios dominicais...

E quando despontam as cores crepusculares
de um entardecer vestido de poesia,
novamente eles se levantam para darem colo
aos pequeninos de todos os formatos e idades,
não os deixando naufragar pelas mágoas dos desenganos...

É quando se ouve, disfarçada de silêncio,
aquela palavra mágica,
senha de todos os infortúnios:

MEUS AVÔS!

  
SONETO AO LUAR


Majestoso e sublime o meu luar
Vai surgindo detrás pelas colinas
Bem suave começa o seu bailar
Para o céu descerrar suas cortinas.

Na redoma de prata vai reinar
Rodeada de estrelas pequeninas
Quando enfim a madruga dormitar
Para abrir logo os olhos das matinas.

Despertando debaixo do lençol
Bem depressa retorna o belo sol
E o balé da natura continua,

Na gangorra do tempo mais um dia
Sonolento de novo dormiria
Para então retornar mais outra lua.



O SENHOR É O MEU PASTOR

01
Fez o mar abrir os braços
Fez a noite virar dia
Quando o cego enxergaria
Aleijados davam passos
Estreitou todos os laços
Dou-te glória! Jeová!
Toda treva passará
No triunfo  com fervor
O senhor é o meu pastor
E nada me faltará!

02
Minha mesa com fartura
Sempre vou glorificar
Fez o pão multiplicar
Criador da criatura
Inspirou nossa escritura
Todo o sempre reinará
Já bem antes de Caná
És meu pai, meu salvador
O senhor é o meu pastor
E nada me faltará!

03
Minhas águas já são mansas
O meu cálice já encheu
Vou cantar meu jubileu
Como és grande e nunca cansas
Nunca perco as esperanças
Minha fé me salvará
Tua luz me guiará
És meu rei superior
O senhor é o meu pastor
E nada me faltará!

04
Nas veredas da justiça
Peço ao pai o seu cajado
Filho ungido e abençoado
A seguir sua premissa
Não tem seita que enfeitiça
Só meu pai libertará
Todo o tempo atenderá
Minhas preces, meu clamor
O senhor é o meu pastor
E nada me faltará!

05
A minha alma refrigera
Minha fé me faz mais forte
Não temendo nem a morte
Todo o mal se dilacera
Vida eterna ele assevera
Toda luz ele trará
Toda a porta ele abrirá
É pra sempre o redentor
O senhor é o meu pastor
E nada me faltará!

06
Fez a terra e o firmamento
Fez os mares e a floresta
E os anjos estão em festa
No maior contentamento
Fez do pão nosso alimento
Não nos abandonará
Toda tribo de Judá
Vai cantando com louvor
O senhor é o meu pastor
E nada me faltará!


ADILSON COSTA

Adilson Monteiro da Costa nasceu em Recife e, atualmente, reside em São  Lourenço da Ata (PE). O poeta trabalha como contabilista e escreve seus poemas em decassílabos, galopes, martelos, sonetos e versos livres, além de também ter trabalhos autorais nos gêneros conto e crônica. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário