Pai • Nildinha Freitas



Meu Pai
Homem de fé e de pé na estrada
Um guerreiro
Um lutador
De noites mal dormidas
De idas, quase sem vinda.

Uma vida de pai viajante
Quantas saudades trazia na mala?
Na cabine do caminhão
Levava as fotos três por quatro
De cada um dos cinco filhos
E um bilhete de mamãe
Dizendo que a gente lhe amava.

Hoje meu pai
Lhe vejo com a pele enrugada
Esquecendo o caminho
E a porta da entrada
Mas nos seus olhos
Ainda consigo ver
O encantamento a nos dizer
Que tem orgulho de nosso pai ser.

Meu pai
Tudo o que posso lhe pedir:
Demore pai a partir.

Nildinha Freitas


Um comentário: