OPUS DEI • Adélia Prado


As borboletas não desistem,
inconscientes de seu nome impróprio.
As estações renovam-se sem erro
e teimas ainda em te certificares|
          de que não é pecado dizer:
ó beleza, sois a minha alegria.
Abre-te,
          Jonathan é apenas um homem,
se lhe torceres o lábio zombeteira
a lança dele reflui.
Um inseto esgota a razão toda,
rói com sabedoria as sumas,
uma gota de seiva mata um homem.
Portanto entrega-te
ao que te faz tão bela quando ris.
          A ópera não é bufa,
é só um não-saber rasgado de clarões.
          Se Jonathan for deus estarás certa
          e se não for, também,
          porque assim acreditas
e ninguém é condenado porque ama.

          

De Por causa da beleza do mundo.

Adélia Prado


Mais poesias no Portal Radyr Gonçalves... Acesse www.radyrgoncalves.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário