NOSSAS MÃOS ♣ SANJO MUCHANGA


Todo mundo usa as mãos
Para se satisfazer das suas vontades
Outros até perdem vontade
De serem esposadas ou esposados
Porque as mãos lhes alivia o íntimo.

Embora são poucos que se confessam
Ao padre que também vive e confia
Nas suas mãos para dar a santa
seia a sua singularíssima solidão
por de traz da batina sagrada.

Na verdade somos muitos
Quando digo que somos muitos
Não que faço das minhas mãos
Companheiras íntimas no lugar da Eva.

As minhas mãos são guias
Para guardarem os meus medos
A cada pensamento esdrúxulo
Que me aparece na superfície
Dos meus próprios erros.

Ergo sonhos sem engenharia
Pinto papéis com aguarelas invisíveis
E vendo ao mundo prostituto
o luto no qual vivem as minhas mãos
escravas dos meus segredos.


SANJO MUCHANGA



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