No solstício de verão - Radyr Gonçalves


No solstício de verão
As formigas vermelhas migrarão
As mariposas se prostituirão nas trevas
E o fruto maduro cairá...

Esse vermelho no chão é sangue
Esse verde no chão é putrefação
Esse azul, meu Deus, esse azul não é divino
Esse pequeno ser não é um menino
É um Belial que canta um hino
Que vomita verbos assombrosos
Em um tom mavioso
Que encanta – hipnotiza –
Que cinicamente não avisa
Que o fogo da ira do tempo
Corrompeu os ponteiros

E as horas se avolumam apressadas
Procurando a saída do labirinto...

Mas não há mais saída...

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NO SOLSTÍCIO DE VERÃO
(Divinare I)

Radyr Gonçalves

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