Natal é uma cidade cínica

Um poema do Poeta brasiliense RADYR GONÇALVES

Natal é uma cidade cínica
Mas ainda goza dos melhores ares
Entre suas velhas cantinas
E bocas de bares
Homens morrem soltos
Livres de qualquer verdade

A verdade é que Natal não cabe no mapa
Perdida na esquina da América
E forrada – agora – de xananas mexicanas
Dorme...

Natal cabe no bolso de um turista viajado
De algum homem calejado de andar por esse mundo
De alguma mulher que conhece o lodo
De algum cabaré sujo e imundo

Natal de pintores e bardos vagabundos
Perdidos na invisibilidade do reino cultural
Vivos nos olhares de algumas almas mais sensíveis
Mortos no inferno de uma lira

A verdade é que Natal é uma cidade tola
De pessoas mornas
Que amam tudo que vai além da costeira
Que abraça tudo quanto é bobeira
Que vem do além da sua costa

Natal ama toda e qualquer bosta
Que vem além da fronteira
E despreza o Alecrim e a Ribeira
Mas ri-se cínica, dizendo que gosta...

(Não gosta).

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