MUHAMMAD ALI:

O Anjo Negro das Américas • de PAULO CALDAS NETO


03 de junho, eu li tristonho
Uma notícia ligeira
De um pugilista famoso
Que lutou a vida inteira,
Pra defender sua raça
Acredite como queira.

O seu caso, eu cantarei
Sem receio, sem vergonha;
Peço a todos a atenção,
Que essa indignação medonha
Não calará multidões
Nem esperança risonha.

Muhammad Ali se foi,
Sem um suspiro deixar.
Todo o ativismo em ação,
Vozes no mundo a clamar.
Um campeão na derrota,
Um povo negro a chorar.

“O desportista do século”,
Seu país classificou,
Morreu feliz com certeza,
Mil corações encantou
Com desafios ferozes,
O ofício, ele sempre amou.

Recebeu nome do pai,
Nome abolicionista,
De político guerreiro,
Não foi nobre cientista
Mas um cidadão, pintor
De propagandas à vista.

Sua mãe do lar, doméstica,
Fiel da Igreja Batista,
É zelosa e devotada,
Com o marido metodista,
O filho passa a estudar
O Evangelho feito artista.

Mas prefere, anos após,
Converter-se ao novo Islã,
Doutrina de Maomé,
Escolha estranha, mas sã
Para um alguém que somente
Buscava a luz da manhã.

Assim Muhammad Ali
Não teria mais o nome
Que teve no seu batismo.
O nome primeiro some
Pois isso é o que tem que ser,
Nenhum motivo o consome.

O tempo seguiu seu curso;
Como Cassius batizado,
Cresceu em lar bem sofrido.
Para sempre um ser amado,
Em roupas curtas e simples,
Num futuro consagrado.

A pele escura, ele tinha
Para ao povo revelar
Tanta bravura escondida
E performance solar,
Dando lição de justiça
A quem tentava roubar.
[…]



PAULO DE MACEDO CALDAS NETO nasceu em Mossoró/RN em 31 de março de 1981. De família assuense, é graduado em Letras/Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É também mestre e doutor em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da mesma universidade. É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. Autor dos livros No ventre do mundo (ensaio) e Do picadeiro ao céu: o riso no teatro de Ariano Suassuna (ensaio). Vencedor dos Prêmios Escritor Eulício Farias de Lacerda (União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte) – 2011; VIII Concurso de poesia Luís Carlos Guimarães-3º lugar (Fundação José Augusto); Prêmio Sarau Brasil – Concurso novos poetas (Ed. Vivara Nacional) – 2014; Concurso de poesias da UFRN-2014 (NAC-Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis); XXXIV Concurso de Trovas-2014-14ºlugar (Academia de Trovas do Rio Grande do Norte); Concurso da União Brasileira de Trovadores 2015 - 9º lugar; 5ᵃ Menção honrosa no X Concurso de poesia Luís Carlos Guimarães (Fundação José Augusto – 2015); II Concurso Literário Américo de Oliveira Costa (Editora Universitária-2015); categorias poesia e crônica, o que lhe rendeu a publicação das crônicas e poema premiados nas antologias Natal e outras crônicas e Máquina de sonhos e outros poemas (EDUFRN-2017). É membro da Academia Assuense de Letras, da União Brasileira de Escritores ― seção RN, da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN e do Movimiento Poetas del Mundo. Possui também um livro de crônicas já pronto ― Peixe vivo fora d’água ― e um Zine em fase de conclusão ― Quase música: 12 poemas que não viraram canções ― ambos com previsão de lançamento para 2018. Atualmente, é também estudante de música e tem aulas de teoria musical, instrumentação voltada para o piano, história e linguagem musical na Academia de Violino Jaime Lourenço em Natal. Costuma dizer que seu primeiro chamado para arte veio da música. Pela falta de recursos financeiros para poder realizá-lo, a literatura, como segundo chamado, acabou compensando o primeiro. Seu grande sonho é tornar-se um bom pianista, instrumentista e compositor.

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