TODAS AS HOMENAGENS À CIDADE DO NATAL

A Poeta Natalense ADÉLIA COSTA homenageia a Cidade do Sol com sete poemas inéditos
Imagem • Radyr Gonçalves • Rio Potengi

IDÍLIO

Em teus braços, no Forte
Meu Reis,
Achei o meu norte !
  
      💐💐💐
  
BAIRRO DA CIDADE

De Esperança em esperanças
Fui mulher...
Desfiz as minhas tranças
  
      💐💐💐
  
INFÂNCIA

O mar de Luíza
Foi minha mãe
Deixou-me druída
  
      💐💐💐
  
SÁBADO EM NATAL

Alecrim dourado
Sua feira
Tem me contornado
  
      💐💐💐
  
NATAL CIDADE
  
Na tal  Ponta do Morcego
Na tal quebra do mar
Na tal bruma florida
Vê-se de longe um par

São dois ávidos amantes
De beijos e corpos selantes
Que estão a se abraçar

Não ligam para os errantes
Ou para andarilhos mirantes
Sejam da terra ou do mar

As jangadas todas passantes
E o Sol apenas contemplando
Quem sabe talvez se inspirando
Na tal cidade amante
Para a lua ele encontrar?

E o casal continuava aos risos
– Tão intensos e constantes
Era belo o namorar
Naquela Ponta radiante
Dos Morcegos e viajantes
Na tal ponta do mar

Tudo isso foi escrito
Na tal história da vida
Na tal princesinha do mar
Na tal noiva bonita
Na tal cidade solar
Na tal cidade do dia
Na tal cidade lunar
Na tal cidade adornada
De amor e ondas do mar
  
      💐💐💐
  
OLHOS POTENGI

Teus olhos de mel são fins de tardes
São como um belo pôr do sol
Visto no belo palco
Do meu rio Potengi

Eles são sinuosos e estrábicos
Habitados sempre por mim
E brilham como as águas
Do meu belo Potengi

Teus olhos são duas pontes
Norte-Sul, a me unir
São dois caminhos pulsantes
Que fazem o transbordante Potengi


Sempre que deito e amanheço
Quero vê-los sempre em mim
Senão eu não aconteço
Qual nuvens pretas no Potengi

Vem! Vem sempre ! Vem desaguar
Com olhos e lábios carmim
Vem com toda a tua graça
Fazendo-me teu alfenim
E como águas correntes,
Fazes de mim um Potengi
  
      💐💐💐
  
CÚMPLICE BENDITA


              I

Nenhuma ladeira alta,
Ainda que do Sol,
Da lua ou da rua da Marpas,
Deixou-me tanta lembrança
Quanto as ladeiras do teu corpo

Nem mesmo todas areias
Alvas, Carecas  ou Pretas,
Ou mesmo do meu quintal
Poderiam somar
Partículas brotadas em mim
Ao encontro do teu olhar

Na memória...
A saudosa Praça das Flores
E a Praça do Alagamar
De paisagem verde e desértica
Eram cúmplices dos nossos rubores
De palavras a jurar fulgores
Do nosso primeiro amar

E como dois passarinhos
Não nos cansavam os beijinhos
Quando voávamos um para o outro
Na escola, na rua ou mar
Ponta Negra era cenário certo
Do idílio a nos regar


                   II

Mas, vieram o vendaval
Os tremores de João Câmara
As dobras sísmicas cutâneas
Os abalos emocionais...

Prããããããããããããããããmmmmmmmmmmm
Trãããããããmmmmmmmmmmm
Chrãããããããããããããããããããssssssssssssssssssssss


                 III

Os sonhos de outrora,
Natal, minha terra amiga,
Minha cúmplice confidente,
Esvaíram-se em magma ardente
Numa grande e destoada rima:
Efeito boreal aurora

Tanto de ti, Natal, me tocara
Em meus muitos andares
Nas manhãs e fins de tardes
Apreciando as tuas paisagens
Eu era tua menina
Ele, pôr do sol lunares

Tu eras a ilha perdida
Paisagem paradisíaca
Que minha vida encontrava
Eras cúmplice bendita
Doce oração atendida
Do amor que desabrochara

E mesmo tudo passado
Continuas contemplando,
Minhas lembranças
Sentimentos divagados
De uma menina
Revendo o seu amado

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