FIM DO MUNDO

Um poema da Poeta norte-americana LAURA RIDING 

LAURA RIDING Gottschalk, pseudônimo de Laura Reichenthal foi uma poetisa norte-americana, autora de poemas em prosa. A partir de 1963 passou a assinar os seus trabalhos como Laura Jackson. Recebeu o Prémio Bollingen pela sua poesia em 1991.

O tímpano está no fim
A íris ficou transparente.
O sentido se desgasta.
Até o sentido está transparente.
A pressa alcança a pressa.
A terra arredonda a terra.
A mente encosta a mente.
Claro espetáculo: cadê o olho?
Tudo perdido, nenhum perigo
Força a mão heroica.
Corpos não se opõem mais
Um contra o outro. O mundo acabado
É semelhança em toda parte.
Caem os nomes do contraste
No centro que se expande.
O mar seco estende o universal.
Nem súplica nem negativa
Perturbam a evidência geral.
A lógica tem lógica, e eles ficam
Trancados nos braços um do outro,
Senão seriam loucos,
Com tudo perdido e nada que prove
Que até o nada sobrevive ao amor.

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