EU AMO

Um texto de GABRIELA CÂNDIDO...

A potiguar GABRIELA CÂNDIDO tem 21 anos, é cantora, compositora e vez por outra encontra prazer escrevendo crônicas sobre o cotidiano. Recentemente teve um conto policial de sua autoria selecionado pela CJA Editora para fazer parte de um livro de contos policiais que será lançado em breve.
Há nove meses lançou o CD autoral UNIVERSO em um canal do Youtube, com uma música leve, com letra de qualidade  e melodias que acalmam a alma.

Eu não sei onde, quando e nem como eu comecei a amá-la. Era início da noite, numa ligação, eu disse: “eu amo você”. Não fui correspondida; pior, fui ignorada.
Eu já amei antes, e sabia exatamente porque eu amava. Poderia enumerar as razões em ordem alfabética, cronológica ou relevância. Sabia o motivo exato por amar. Mas agora me pergunto sempre: onde, quando, como?
Eu poderia amá-la pelo seu corpo, seu cheiro ou seu jeito. Mas não foi pelo seu corpo de 1,56 pesando menos de 50kg, nem pelo seu cheiro de chá que fica escondido na nuca por baixo dos cabelos, menos ainda pelo seu jeito, introspectiva, jeito de quem já engoliu o choro e o riso.
Será que a amo pelo sms que ela me manda despretensiosa? Ou por causa dos seus pelinhos no braço? Por seus pés suados que grudam as chinelas? Pela cerimônia ao falar com minha mãe? Pelos seus assobios quando chega em minha casa? Ou pela saudade que fica quando ela se vai?
Era final de tarde, deitada na cama, ébria, ela me disse: eu amo. Era só isso, “eu amo”. Não era um “eu amo você”, nem mesmo um “eu acho que amo você”. Foi apenas, só, nada além de um “eu amo”. Não tinha “você” em seguida, mas eu sabia que o “eu amo” jogado ao ar com cheiro de vodka, era meu. Talvez ela não tenha me dado o privilégio de selar aquele momento como dona e possuidora daquelas palavras, porque ela também não sabe onde, quando e nem como começou a me amar.
  

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