ENSAIO SOBRE O JORNALISMO

Um poema do Poeta brasiliense RADYR GONÇALVES

Imagem • Alexas • Pixabay
A agonia da matéria fria
A marreta marrenta que amarra a folha
A manchete manchada no machado mentiroso
A malha interpretativa, a Cruzeta maldita
O destrinchar do verbo escrever
O assombro do rádio, o cheiro da folha, a voz na tevê

O foco da foca fofoqueira
O fosco tosco do texto do Bosco
O chupa-chupa, o mal da cuca
As estranhas mil interpretações de uma única ação
O tiro, o termo, o terno, o bucho, a barriga,
A urtiga, a mentira branca, a mentira negra
A mentira verde, a mentira vermelha
A meio-mentira, a mentira completa
A simples mentira

A verdade

Ryszard Kapuściński investiga nuvens corruptas
E desvios orçamentários no inferno...
Cobre guerra de anjos, investiga demônios
Reescrever o ´´ O imperador ´´ , toma chá com os xás
Enquanto não se dá conta da própria morte...

O pirulito, o pastel, a carne, o jabá
A pauta, o puto, a pata, o vazar

O conflito das metáforas sagradas
O gancho ancho do dia
A muleta poética da noite encoberta
O faro, o aro, o dom, a alma, a veia estrategista
Do ser jornalista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário