DA OBRA DE PAULO MIRANDA BARRETO

Sete inspirados poemas do Poeta paulistano mestre na arte de versar

GIRASSÓIS NA LUA

essa noite eu voo pra lua
plantar alguns girassóis
viver de saudade tua
morrer . . . lembrando de nós

que eu findo . . . e tu continuas
com  tua suave voz
a cantar verdades cruas
pra ninar meninos sós. . .


AO SUJEITO OCULTO

não te direi com quem ando
nem tu me dirás quem és. . .

e, ainda assim,  prosseguirei remando
(rimando) contra os males e as marés

qual ébrio (nu de brios) . .  . me equilibrando
no brando fio de luz de minhas  fés

improvisando cios e requebrando
ao ritmo febril dos afoxés

mas, nem teu Deus do céu sabe até quando
versejarei assim . . .  ‘sambando um jazz’. . .

a revelar meus lumes no que escondo. . .
e a ler o silente estrondo
de um  sol. . .
             se pondo . . .
                               a meus pés.


A ÚLTIMA PROFECIA

Quando for tarde demais
olharemos para trás. . .
Não haverá o que ver.


DOIS A UM

vale menos um coração na mão
que dois
amando.
 •
Menos é demais- 2014


VALEU!

a boca dispara raios 
diz : ‘para-raios arranham
céus nos quais os papagaios
dos meninos . . .  se emaranham’

e a boca dispararia  
impropérios, palavrões
mas diz pura poesia. . .
‘O rio sorriu erosões’

a boca até pariria
asperezas, maldições. . .
mas quer dizer poesia
(que enluare assombrações)

faz da brisa ventania
faz das geleiras vulcões
faz da tristeza alegria
transforma tudo em canções

diz: - Daniel, a poesia
vigia a cova e os leões. . .
e a dor que há nela extasia
e anestesia aflições

desilude luzidia
mil sombrias ilusões
e com malícia alicia
sinas e alucinações

mas, meu deus! Ave Maria!
a boca que  floresceu
há de murchar algum dia
cheia de silencio e breu.. . .

porém, se deixar poesia
ah! se cantar poesia
se semear  poesia
antes de calar . . . valeu!


É AGORA, JOSÉ!

Desperta antes que o Sol saiba que é dia
e cai no mundo, impávido
e á pé!

Com a cara e a coragem
encara a covardia. . .
Gigante e pequenino homem de fé!

Mais um José qualquer
‘homem comum’
Vale por dois, por dez  . . . mas é só um

Um só
dentre milhões de outros iguais
Pois é José. . .
quem pode, pode mais. . .
mas . . . quê seria deles sem você?


RUBRO DE RUBI

atrás de ti me distraio  
e ensaio  um ‘sair de si’. . .

entro em teu cio
dentro caio
te adentro e saio
de ti

voo e venho
bem me esvaio
pondo pingo
no teu i. . .

e alegre feito um domingo
beijo a flor e o colibri

paro quedas
paro raios
desvairo em teu frenesi. . .
pairo em aves, nuvens, naves
balões no céu
do Havaí

e entre o êxtase e o desmaio   
nos olhamos de soslaio
tão rubros quanto
rubis. . .

teu amor me acerta em cheio
o meu se faz teu recheio
e o mundo gira
feliz!


PAULO MIRANDA BARRETO (São Paulo 1976) é poeta (em tempo integral).
“Deformado em Letras”, “tradutor de almas”, “ávido leitor de nuvens” e “inventor de versos”.
Publica poesias semanalmente em seu blog pessoal www.paulomirandabarreto.wordpress.com ,em diversos grupos de literatura e poesia no facebook bem como colaborador convidado em outros blogs literários.

Até o momento, não possui livros publicados.

Um comentário:

  1. Poemas de encher a boca da noite,
    mas de não saciar
    de tanto te ler
    senti desejo de quero mais!
    Paulo Miranda e Revista de Ouro.

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