CADÊ O FOLCLORE QUE ESTAVA AQUI? ♣ UM POEMA DE PAULA BELMINO


PAULA BELMINO

Cadê o quintal enfeitado
o brinquedo que estava ali?
Quem queimou a panela e não anda mais a cavalo?
Essa astúcia não foi do saci!

Quem cortou o verde, e derrubou as árvores?
O Curupira assustou,
Quem botou fogo na mata?
com seus pés para trás Caipora se desviou.

O que aconteceu com os peixes da lagoa
e cadê as brincadeiras antigas?
Mãe d'água guardou no fundo do rio
junto com as lavadeiras e suas cantigas.

O tempo não tá para peixe
no rio nem se pode nadar,
cadê o rio limpo onde os peixinhos nadavam?
Sereia lá está a chorar.

Na floresta os bichos todos acuados
com as lendas vão se perdendo
Boitatá, cobra de fogo,
Ninguém mais por lá está vendo.

As crianças de hoje em dia
não brincam mais de ciranda
Tingo Lingo Tingo, Tô no poço
a roda da vida é que vai girando.

Cadê o anel que tu me deste?
Era de vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
virou foto no computador.

Onde andam as crianças
à noite toda ouvindo estórias?
com medo da cuca, do bicho -papão
O papafigo mandando embora?

É um tempo diferente
lendas, mitos e cirandas
brincadeiras antigas, costumes.
Pra frente todo mundo é que se anda.

E deixam para traz,
sereia, saci, e Lobisomem
o repertório popular mudou
Ou quem mudou foi o homem?

Folclore é cultura, é costume popular
crendices, passatempos, cantigas de ninar
Vamos todos juntos na ciranda
não deixar que a festa venha acabar.

O momento de juntar a família
pra boas histórias contar
os pratos saudáveis na cozinha
para os filhos ensinar.

As brincadeiras nos quintais
fazer adivinhação admirando a lua,
brincar de roda e de peteca
Que o folclore viva, na minha e na sua rua!





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