A VERVE DE ALUÍZIO MATHIAS

14 poemas do Poeta natalense ALUÍZIO MATHIAS
Imagem • Carla Alves
Nesse mundo
de signos e fonemas,
faço das letras
riscadas dos poemas
um turbilhão
de crases de efeito...


CLARICIDENTE

Não é por esse aspecto,
não é por esse espectro;
eu vejo o mistério de Clarice
subjetivamente
Lispector...


INFINITO

Eu ando pelo mundo
nesse sonho de espera
e digo num canto profundo:
eu não sou feroz;
sou estratosfera...


TENSÕES DE AQUILES

Nada de Aquiles,
nada de ilusões;
tudo de canções,
tendões de aço
nas emoções!



Tenso,
logo resisto
à tentação
de estar perdido...


A ÚLTIMA MÚSICA

gosto de lhe encontrar
pelos cânticos
a reviver nota musical
a pensar que o mundo
não é nada igual
e que agora vou cantarolar
nossos amores quânticos.


GRAMÁTICA

É próprio da paixão
ser um substantivo abstrato.
De sua beleza simples,
composta e primitiva
nasce um prazer plural,
nessa emoção singular...

  
ESPECULAÇÃO

O que ontem aqui
era lixo
hoje jaz como edifício.


VERSÍCULO I

Sigo meu caminho
solidário,
fazendo, do teu corpo,
itinerário.


SENTENÇA

Condenado
à solidão
e preso
ao sentimento
esse é o meu amor
culposo
livre
com intenção
de amar.


cara vela
velho rosto
vela rara
iluminando o passo
do que nos revela.


INDIVI/DUAL
Ao amigo prof. Nonato Gurgel

O poeta, antes de tudo,
é um corte.
Devorador de versos;
o inverso do coletivo.
Pensa que é eterno!
Vive, barulhentamente,
nas profundezas do interno.


SERTÂNICAS

Na sequidão da noite,
minha paixão semiárida
será galope de açoite
nessa natureza cálida.
Virão canções pela rua;
e nossa complacente lua
será testemunha nua
dessa robustez esquálida.


BOLETIM ECONÔMICO

não se commodities
comigo
sou um liso nove mil
e a minha bolsa
há muito tempo caiu
mas eu tenho um coração
assegurado
e bate no peito desse endividado
o superávit de uma grande paixão.


ALUÍZIO MATHIAS nasceu em Natal/RN, aos 4 de novembro de 1962. Envolveu-se com a poesia a partir da experiência com o Grupo Cabra. Organizou, com outros jovens artistas, a oficina de criação Aluá Edições Alternativas; grupo que divulgou fortemente a chamada Poesia Marginal na cidade. Publicou os livros de poemas “Cárcere das Letras” (1979), “Concerto em Geral” (1980), “Extrema Poesia” (1981), “Poemas Soltos na Buraqueira” (1983), “Pipocalipse Nau” (1984) e “Fato Consumido” (1985). Seu mais recente trabalho é o zine LIBERDADE PALAVRA POESIA, lançado em março (2017). Idealizador dos projetos “Poesia Circular” e “Folha Poética”, considera-se um eterno militante da poesia.

2 comentários:

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  2. Aluízio Mathias sempre com seu talento poético a nós presentear com belíssimas poesias. Parabéns ao Poeta

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