A POESIA DO PORTUGUÊS EMANUEL LOMELINO


AMADOR DO VERSO
  
Com esta capacidade com que nasci
e alguns conhecimentos que adquiri
componho a minha poesia e escrevo
não sei dizer quantos poemas redigi
muito foram os que entretanto perdi
quem sabe se serei poeta de relevo.
  
Basta-me caneta e uma folha de papel
e esculpo as palavras a talhe de cinzel
tudo mais advém de mera inspiração
a poesia não traio, sempre lhe fui fiel
palavra de aprendiz de poeta Emanuel
amador do verso por adita convicção.


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APERTO DE MÃO

Andamos numa roda viva
Num autêntico frenesim
Não existe outra alternativa
Esta vida é mesmo assim.
  
Corremos desenfreadamente
Sem termos um rumo certo
Apenas reparamos na gente
Quando não os temos perto.
  
Então invade-nos a saudade
E atinge-nos a vil solidão
Faz-nos falta a solidariedade
De um simples aperto de mão.
  
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FÚRIA

Incompreensível estado de alma
Foge-me a razão, perco a calma
Que se foi com o Sol de Verão.
Choram nuvens de desconfiança
Regam terra árida d’esperança
Brotando de mim esta irritação.
  
Momentos de escassa paciência
Num paciente são incoerência
Na enxurrada vai todo o alento.
Confuso encho-me de lamúria
Explode este meu peito de fúria
E com ele eu também rebento.

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A JOÃO MELO

A minha poesia é bem portuguesa
e escrevo em todos os sotaques
inclusive os de outros continentes.
Os versos que crio como fado
têm ritmo de samba e kuduro
e dançam embalados numa morna.
Alimentam-se de funje aos Sábados
e de bacalhau aos Domingos.
A lusofonia dos meus poemas
não tem fronteiras, é universal.
  
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NOVO RESPIRAR

O ar que inspiro em golfadas urgentes
queima-me os pulmões calcinados
pelas respirações da outra existência.
As velhas cicatrizes ainda não sararam
e as dores teimam em marcar presença.
Cerro os dentes na eterna esperança
Que toda a fúria deste novo respirar
Seja o reinício que a vida me prometeu.
  
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FAZ DE CONTA
  
Imaginem só esta situação caricata
Eu nascia com outro sexo, diferente
Manteria este feitio, sendo coerente
E nas orelhas teria brincos de prata.
  
Provavelmente seria mãe bem cedo
Uma solteirona infeliz ou divorciada
Mulher de sete ofícios bem avisada
Pura guerreira destemida sem medo.
  
Quem sabe se não teria algum vício?
Talvez trabalho ou cuidar do jardim
É difícil falar de tema tão complexo.
  
Este faz de conta é só um exercício
Jamais saberei se seria mesmo assim
Nunca me imaginei com outro sexo.
  
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 7

Sendo tudo palavras,
o poeta escreveu
sobre todas as coisas;
sobre tudo e nada;
sobre a plenitude;
sobre a ausência.
Mas soube-lhe a pouco
e recusou limites.
Alargou horizontes
a todas as palavras:
nasceu a metáfora.

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EMANUEL LOMELINO


Emanuel Lomelino, nasceu a 29 de Janeiro de 1972 em Camarate, membro ativo em diversos eventos literários, apresentador, prefaciador, coordenador  em Portugal.
Mentor do projecto, multiplataformas, de divulgação de poesia lusófona, TOCA A ESCREVER
Tem 7 livros editados. Membro da Academia Virtual de Poetas de Língua Portuguesa – secção de Portugal, com assento na cadeira Mário de Sá-Carneiro.


Um comentário:

  1. Lusofonias brincantes, versadas n´água salgada da estrada entre continentes, coisa de gente misturada em peles e culturas, compõe-se assim sinfonia de viva partitura, constroem-se assim sons em pintura, ampliam-se, por essa curva, as internacionais parcerias à vibrante poesia...

    Parabéns pelo conjunto de poéticos textos, que apresenta face indistinta a tantos culturais temperos, sem tender a um ou outro apelo caricato de qualquer povo.

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