A BUNDA QUE ENGRAÇADA ♣ CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai

pela frente do corpo. A bunda basta-se.
A bunda são duas luas gêmeas
A bunda se diverte
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
A bunda é a bunda


Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
redunda.


- CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, em "O amor natural". Rio de Janeiro: Record, 1992.


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