Você precisa conhecer a poeta goiana Lilly Araújo


Descalcificada!
 •
Juntas tortas,
artérias corrompidas
pela inexatidão dos pulsos.
O mundo gira,
e na vertigem de descaminhos
me vomita em pequenas porções de
coisa alguma, ou quase nada.


Primeira vez na tua língua
 •
O mar me lambeu hoje
com a intrepidez daquele que sabe o que quer,
e o discernimento de oferecer
o que mais deseja uma mulher.

Lambeu-me entre as pernas,
num súbito atrevimento desejado,
mas não antes de olhos nos olhos
e um beijo profundo,
e promessas de um hoje terno e absurdo.

O mar lambeu-me entre as pernas,
e eu gozei ostras sem pérolas,
porque agora não havia sofrimento.
Não nesse exato momento.


Das vezes de esperar
• 
Vinte velas acesas para iluminar o meu sonho,
vinte vezes eu olho na tela do celular buscando em vão,
na aridez da descompostura da minha cervical
que me entorta todas as juras que nunca cumpro a mim mesma.

Pela vigésima vez, só esse ano, eu me embriago
de absinto e mel, como se o paladar
de qualquer um deles fossem-me a mesma coisa.

Vinte vezes eu olhei o horizonte na esperança de ver você chegar,
entre as brumas mal dormidas e sorrisos amarelados
desfeitos no brilhar de uma aurora boreal.

Vinte vezes ou um pouco mais,
e nunca, nunca em qualquer uma delas,
meu peito teve um instante sequer de paz.

Horizontal
 •
Tento prender os meus dedos
nas coisas que me alcançam,
engastalho os olhos em tudo
que desfila colorido em minha frente,
pra disfarçar o preto e branco da minha tinta
que já se acabou.

Fecho o nariz para não sentir
o odor de fruta vencida
que exala de minhas virilhas esquecidas,
sem um paladar há tanto tempo;
sem ruídos;
sem horizontal;
sem contorcionismos...

Eu me vou por aí apenas indo,
tentando prender os meus dedos
nas coisas que me alcançam,
inutilmente.

Meu lixo
 •
Reviro meu “lixo seco” reunido no cesto do quarto:
três caixas de tintas de cabelo,
cada uma de uma cor diferente;
um cálice descartável de ‘vinho de santa ceia’,
que é o líquido para assepsia do espírito;
dois frascos de álcool a 75 por cento,
que é pra matar os germes sobre essa carne;
um monte de rascunhos de poesias já digitadas,
que são a delação não premiada
de cada um de meus demônios.
Esses, que são todos imortais!


Saiba mais sobre Lilly Araújo

Biografia
Nasceu com a biologia no sangue, mas não menos que a poesia intrusa e impertinente.
Lilly escreve seus rascunhos de poemas desde os quatorze anos, mas só começou a participar do círculo literário a partir de 2011, arriscando nas diversas áreas literárias, sendo, no entanto, a modalidade POESIA, a “menina de seus olhos”.
Em 2015 ingressou-se na ULA (União Literária Anapolina).
Teve o seu primeiro livro lançado em 2016 sob o título de “Som do Coração”

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