Tempo Horário • Radyr Gonçalves



Abrem-se as cortiças do tempo
Leito, lento, vento, bento
Torvelinho que sopra domingos
E vai indo, e vai indo
Sucumbindo...

Monótonos presságios
Elefantes de passagem
Meu rito, meu Arizona
Minha paisagem de quadro

Fecham-se as janelas das horas
Outrora, agora, arvora a aurora
Sol que se apequena diante da luz
E encandeia, encandeia
Até que a visão se encerra...

Cosmonauta profético
Hipopótamos poetas
Meu velocípede de avião
Minha velha bicicleta
Minha estrada de chão batido
Meu coração entorpecido
Meu sertão sem sentido
Meu arco de salvação...

Meu sim teimoso
Meu erro manhoso
Meu anel, meu caos, meu não...

Radyr Gonçalves
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