Soneto XXVI • Sóror Juana Inés de la Cruz


Vês-me, Alcino, que atada à cadeia
de amor, vivo em seu aço aferrolhada
mísera escravidão, desesperada
de liberdade e de consolo alheia?

Vês de dor e angústia a alma plena,
de tão ferozes tormentos lastimada
e entre as vivas chamas abrasada
julgar-se por indigna de uma pena?

Vês-me seguir sem alma um desatino
que eu devo condenar por inumano?
Vês-me esparramar sangue no destino,

seguindo os vestígios de um engano?
Mui admirado estás? Pois vês, Alcino,

mais merece a causa de meu dano.

Sóror Juana Inés de la Cruz


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