A poesia de Elke Lubitz


Moradas
*
O tempo mora
um pouco em
cada um de
Nós

Uns são invadidos
D'outros ele se evade
Deixando prestos cantares
Vidas poucas, muita saudade

O tempo mora
Um pouco em
cada um de
Nós

E quando a tarde fere o vazio
um poeta se diz esquecido
e lambe as cicatrizes

Forja dores, alegria
e finge, finge
E finge que
Ainda
Existe.

Sopros
*

Libertou todos os pios
Gorjeou labirintos celestes
Deitou n'outros ninhos
Embalou um berço de cristal
Para que todas as aves de vidro
Aprendessem a voar
Voou de si.
Desinventou-se.


O sal das Mãos
*

Eram olhos de auroras
na busca da prisão dos tempos
entre memórias e lonjuras
corre o rio

para o mar de dentro

Águas profusas no sal das mãos
são gotas dos mistérios
do início
do sim

do começo ao precipício

Olhos amanhecem no tempo
persianas que ultrapassam
o futuro.

E ferem o infinito
desde o ventre
Do
Mundo.

elkelubitz

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