Coletanea SPVA - Com Leonan Cunha - Mizael de Souza Xavier - Nair Damasceno e Ezequiel Francisco


FÜR MEINE PATIN
-

O que é
a morte
senão
esse fio
que a gente
tece sem
observar
quando deu
o último
ponto?

O que é
morrer
senão
sair pela
derradeira
vez na
escola
de samba
e não ser
quarta-feira
de cinzas?

A saudade
será bicho
a roer as
unhas dos
filhos, os
cabelos
pretos do
esposo.
Aceitar que
tudo é findo
porque não
se pode
mais dançar
quando a
indesejada
das gentes
desliga
a música
do corpo.
-

Leonan Cunha

*


O DOCE SONO DA MORTE
-

 Branca de Neve comeu da maçã envenenada

E quedou-se em seu sono de morte

A espera que o príncipe encantado fosse acordá-la

Rodeada por sete anões que choravam por sua sorte.



Pobre princesa humilhada e perseguida

Pela insana madrasta que a invejava

Obrigada a fugir para salvar a própria vida

Contra tal crueldade que sua algoz destilava.



Os seus sonhos de princesa deixados para trás

A segurança do lar trocada pela incerteza

E agora, moribunda, repousa tranquila

Inerte, mas portadora de uma rara beleza.



Que príncipe beijará estes lábios pueris

Para trazer de volta à vida esta menina singela?

Choram os anões, as árvores e os animais

Rodeando o esquife que lhes lembra uma cela.



Doce Branca de Neve, o que estás a sonhar?

Teu rosto tão calmo e alvo ainda esconde um sorriso

Estarás a pensar em tudo o que perdestes

E a desejar adentrar pelas portas do paraíso?


Dias e noites passam nesta trágica desventura

E a doce menina alva insiste em continuar

Abraçada ao sono da morte até que o beijo da vida

Toque a sua face para que ela possa despertar.

-
Mizael de Souza Xavier


*

Revoada
-

Voa alma minha, voa,
Voa nas asas do vento
Em direção ao sol nascente.

Canta alma minha, entoa
Um canto triste, um lamento,
Como um rebusco inocente.

Chora alma minha, chora,
Mas oculta tua dor
Como um segredo escondido.

Chama alma minha, implora,
Alcança com teu clamor
Aquele sonho perdido.

Dança alma minha, dança
Ao som das ondas do mar
Se energizando na areia.

Só então deves voltar
Nas asas da esperança,
Na
noite de lua cheia.

-
Nair Damasceno

*

Enfins!
-

...encontramos
A alma das palavras
Neste espaço de nós
Por entre os fumos
Dos nossos cigarros...
Enfins infinitos e perdidos
Nas palavras dos deuses
No silêncio destas nuvens.
Nuvens baças dos cigarros
Onde se advinham formas
Coreografias infinitas
Onde o enfim se perde
Na razão do sonho
Quase sempre medonho...
Outras ainda se revestem
De cores e emoções
Em cânticos esquecidos
Quiçá perdidos
No espaço e no tempo!
-

Ezequiel Francisco 

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