Você precisa conhecer o Poeta português António Patrício


Em silêncio
*
Em silêncio aqui estou, quedo
Neste presente com passado
E de futuro incerto.

Em Silêncio…
Olhos postos em mim
Atento ao que fui, ao que sou
E ao que, possivelmente, nunca serei!

Nesta ausência do dizível
Vou calando palavras mudas
Que de tanto sentidas
Doem na memória dos dias.

De tão longe vem este silêncio
Que em mim trago
Que já não sei de onde…
Em silêncio espero…

Gestos, palavras…
Sinais de um tempo
Onde a voz cala e a memória grita
No presente o que foi passado.
-

António Patrício Pereira


-



Breve fronteira da vida I
*

Quando a morte me vencer
não olhes para trás,
não lamentes os dias,
não temas as noites…
Segue os sorrisos em auroras
vindouras.

Deixa-me de companhia a dor
e o sofrimento.
Respira marés em completa liberdade.
Segura o sonhos, não abandones
o mundo que renasce constante.
Não te entregues às fingidas palavras
que as lágrimas sustentam.

À saudade mostra-lhe o prazer
dos momentos em poemas
espalhados.
Não percas a vontade
na lama movediça da rotina.
Vive!…
No alfabeto das horas
soletra gargalhadas,
breves fronteiras de vida.

-
António Patrício Pereira


Qualquer cor
*

Estar inteiro
e despir um corpo
em linhas desenhadas,
a qualquer cor,
na vastidão
de uma folha de papel.

-
António Patrício Pereira


Terra Limpa
*

Acabado de atravessar os campos do sono,
devagar;
entretenho as mãos a tecer o dia
com o fio dos lugares outrora
anunciados em sonhos distantes.

Rasgo,
num arrepio,
as ondas quentes que ainda me banham o corpo…
Estendo os linhos em redor das sílabas
e espero o teu acordar
para me vestir com a terra limpa
do teu olhar.
-
António Patrício Pereira


Urgente nudez
*

A palavra mais antiga
só a escrevi
na urgente
nudez do teu corpo.
-
António Patrício Pereira


Eu!?…

Eu? Sou eu , está bem de ver! Com defeitos e virtudes; passado (por vezes complicado), e presente! Futuro?
Por esse vamos esperar que seja presente e depois logo se vê!
Nasci a espernear e aos berros, em 1963…
José António Patrício Pereira, foi o nome que me deram (porque alguma coisa me teriam de chamar), eu acho que António Patrício é mais prático. Fiz muita coisa na vida; foi nos jornais que me senti em “casa”. Vou tendo a mania que escrevo alguma coisa; mas, acreditem, é mesmo só mania.
Sou (ou tento ser), uma pessoa igual, e diferente, de todos os outros.
Na bagagem levo já amores (uns ganhos outros perdidos), dores (o quanto baste), e algumas, outras, lutas por começar.
Nasci… Tenho alguns anos de vida…
E ainda não morri!
É a vida!!!

E agora, se me permitem, vou continuar a respirar; que a viagem é longa e a vida muito curta para a completar.



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