Você precisa conhecer o poeta paulista Diego Alves

A medida
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Hoje que não existem mais
Ferida e pecado
Hoje que estamos cheios de significado
Simbólicos de um tempo de estado
Físico nuclear
Líquidos de amar
Tanto amar foi esse
Que nos restou o desdém

Vênus fora esquecida do mar
Fora enterrada no coração de Zeus
Que dos seus
Nunca quis mais que meia dúzia de Ateus
O resto é plataforma de esquecimento
Sofrimento de um desalento
Comedido por frases de contentamento
Felicidades urgentes
Emergentes e novos horizontes
Aos cegos revelados.

Máscaras transparentes de serpentes
Do novo Parthenon ensaiam o discurso
No decurso do estabelecido
Em parte dividido
O que se deseja ser

É o que é
Essa é toda a fé
Esse é todo o mistério
Grávido e cansado
De esperar pelos filhos
No espaço etéreo do mundo velho.

-
E somente mostre à razão
Que só sentes.


Agora é tarde
*
Eu sei que é triste desistir
Mas o tempo ultrapassou nossa vontade
Ficamos pra trás do futuro da verdade
Carentes de igualdade
Assistimos aos montes
Reis, rainhas e seus amantes.

Da calçada da fama
Às ruas de lama
Aprendemos existir por existir
Na esperança de...

É difícil existir!

-

Chega um momento
*

Chega um momento
Chega um momento em que a fonte esvazia
Momento em que se vê de longe, ao léu,
Palavras circulando em carrossel
E sem inspiração que valha o lápis, o pincel...

Chega um momento.
Em que nada se cria
Momento de pura desarmonia
Realidade e fantasia
Remexidas dicotomias
No mesmo de todo dia.

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Clichê
*

No cálculo do amor
1+1 é sempre igual a 1.

No coração do poeta
Nunca cabe a razão do esteta
Numa fria manhã de domingo
Sempre tenha um bom livro

Dias de verão são mais bonitos
E o outono é decadente
Com a primavera vem a esperança
Na ausência do amor, aprendi a relaxar.

A solidão é boa e o que vir, virá.
É no instante que o destino nos trai
Uma força maior que se mostra e não se vê
Meu sol brilha mais na TV
Meu sonho foi programado pra morrer.

-

Coração mascarado
*

Mente coração, mente
Mente-coração.
Em toda sua profusão
Mente e não chora não
Trai a razão uma vez mais

Com razão dê asas ao que te satisfaz
Sofre e mente
Mente a razão
Sofre coração
E sentes como quem mente.

Oníricas líricas
Minha oração
-
Diego Alves




Diego Alves da Silva, nascido em 27/10/1986 em São Caetano do Sul, filho de uma doméstica e de um construtor civil. Sua mãe, Maria de Fátima, nascida a 12/09/1955 em Santo Inácio do Piauí, seu pai, Cícero José da Silva, nascido a 27/01/1955 em Batateiras, Pernambuco. Desde cedo, havia um interesse vago pela arte, quase inconsciente. Interesse, esse, que demorou em se mostrar e desabrochar. Apenas aos 19 anos, a literatura entrou definitivamente, de forma rústica e de maneira precária em minha vida. Tenho uma falta de formação em artes e literatura que geram diversas lacunas nos meus textos. Minhas ideias de poesia são pura falta de compreensão da mesma e está totalmente ligada a minha falta de formação e desconhecimento da mesma. Escrevo poesia para gozar o pouco que a vida me permite gozar, para me livrar de mim e da minha mania de pedantismo, virtuose virtual sem face. E Byronianamente minha devoção ao dom de outros eus, Pessoas Elliotianas com sombras de Poe e revolução de Maiakovski numa paixão cigana de llorca. É tudo batido e nada falado. Um labirinto distinto de ser ou não ser calado, mudo, Beckett numa luz de Camus em gritos de Nietzsche. Tudo isso e nada disso porque tudo o que escrevo é superficialmente revestido do que acho que sei. Não sou um poeta. Sou uma vontade poética.



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