Você precisa conhecer o poeta baiano Elicio Santos

Pedaços
*
O começo do fim não tem manhã
Quando afasto da fé o que virá
O final não transforma o amanhã
Sei que pareço gasto, mas será?

O reverso do fim encantará
Enquanto humilhará, você verá!
Na minha casa o ar cheira a lilás
Ou qualquer aquarela me desfaz?

Quando acaba, o final pode cegar
Quem não deu chance à luz da eternidade
Não se julga a piedade, de verdade.

Forma-se o veredito da razão:
Conforme a perfeição - quer o melhor?
Ouço a queda das máscaras e só.




Pedra De Começos
*
O ar que respiro não é meu.
Os rostos que abrigo
De mim mesmo
Os olhos que penso ter
Cortejam a minha ilusão
De permanecer.

Passo a passo que nunca foi
Ou, se foi, só resta na minha cabeça.
Se nem a imagem é pra sempre
Quanto mais as sombras!
Mas há esperança
Não do luxo disputado
Nem do status empinado
Muito menos da areia nas veias...
(Nem olhos viram nem ouvidos ouviram)

Como vejo e ouço? Embora os ecos?
Semeio e choro, enquanto espero
A alegria sem cansaço de em cantar:
Só nos sensos loucos
Cuja natureza é sobre acordar.
-

Sexto Dia
*
No Jardim da Graça havia uma margem
Seus habitantes a negavam
Festejavam (dia a dia)
O brilho conjunto do lugar
Cada centelha de um em todos.

Trabalhavam sem cansaço
Entre a Irmã Natureza
Ardiam ninados pelo sol alto
Tão risonho quanto o do peito.

A ira vinha por brincadeira
Mas agitava a margem
Do jardim de quem se refrescava
Aquém da graça que imperava.

Certo estrangeiro (do mesmo sangue)
Reivindicou a si o inverso da imagem
Arrancou-o das entranhas
Em nome da pretensa liberdade.

Partiu ao seu gozo, não revelado,
Distante dos que rogavam
No Jardim.

No meio da comum colheita
Uns exigiam a maior parte
Ninguém se deu conta da brecha
Ecoava a primeira guerra.

De volta, o cobiçoso trouxe a margem
Hasteou-a, insigne, nos prados esverdeados
Nas florestas densas e, clareiras:
Vermelhas!

Não demorou a subida ao reino
Criado à borda do que havia
Nem Jardim nem Graça
Fica a ordem instituída.

Do trono ainda aprecia e conclama
Sua porção excelsa
Ser um deus desgraçado
De carne e carne.
-

Aterrissar... É preciso?
*
Certa feita, eu fui ao Jardim das Letras.
Andei sério, de início, por causa da luz cinza
Que jorrava dos dicionários empoeirados
Pendidos nas árvores sérias aos cachos

Feito códigos sonolentos que norteiam o caminho.
Depois, porém, ao olhar com outros olhos,
O baralho das sentenças me mastigou
Fui cuspido no paladar das estrelas

Voando nos cheiros e toques dos períodos
Pisando nos olhos das linguagens
Ao mesmo tempo sendo sugado
Intimo, ao vento no rosto de

Quando se engatinha.
Vi meu mundo novo
Até me afogar em mim mesmo
Hoje sonho voltar ao começo
Do fim ou meio de alguma verdade
Sem me encapsular na ansiedade.

-

Mais sobre Elicio Santos

Elicio Santos do Nascimento.
Pseudônimo: Élcio Guerra.
Cidade: Ilhéus
Estado: Bahia
Email: elicio.nascimento@hotmail.com
Biografia:
Comecei a escrever na adolescência, a princípio somente poesia. Retornei com toda a força à seara literária em 2011. Fiz duas oficinas literárias e hoje sou um estudante de Direito (curso o nono semestre).  Remeto colaborações periódicas à Revista Capítulo Um e ao Blog literário Inspiraturas. Sou completamente apaixonado pelo poder das letras. Tenho três livros publicados. Vozes Poéticas; Contos Urbanos e Até que o Clímax nos Amarre.

Algumas premiações:

Terceiro Lugar Concurso Literário Academia de Letras de São João da Boa Vista 2013



CLASSIFICADO ANTOLOGIA SOMBRIAS ESCRITURAS VOLUME 02




CLASSIFICADO ANTOLOGIA SINISTRO 3



CLASSIFICADO ANTOLOGIA POÉTICA AS QUATRO ESTAÇÕES





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