Sermão dominical de astronomia - Hans Magnus Enzensberger

                  
Quando a conversa se volta para as nossas desgraças –
fome, homicídios, assassinatos, etc. –
Garantido! Uma casa de loucos!
Mas, por favor, permitam-me
ressalvar, sem falsas modéstias
que apesar de tudo
é um planeta bastante favorável
este, no qual nos encontramos,

uma pérgula rosa,
comparado com Neptuno
(menos 212 graus centígrados,
velocidade do vento de mais de 600 mph
e uma pipa de metano
na atmosfera).
Só para que se saiba que noutros lugares

é muito menos confortável.
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Hans Magnus Enzensberger 

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HANS MAGNUS ENZENSBERGER (Kaufbeuren, 1929) é um poeta, ensaista, tradutor e editor alemão. Faz parte da geração de intelectuais daquele país cuja formação se iniciou durante o nacional-socialismo. Hans Magnus entrou para a Juventude Hitleriana na adolescência para logo depois ter sido expulso: "Sempre fui incapaz de ser um bom camarada. Não sou de ficar na fila. Não é do meu carácter." Estudou literatura e filosofia nas Universidades de Erlangen, Freiburgo, Hamburgo, e também na Sorbonne, em Paris, onde se doutorou em 1955. Entre 1965 e 1975 foi membro do Grupo 47 e criou a revista "Kursbuch", e desde 1985 edita a série literária Die Andere Bibliothek, em Frankfurt, agora com quase 250 títulos. Enzensberger é um excelente poeta europeu ao qual as minhas parcas versões não fazem justiça. A sua poesia tem um tom sarcástico e irónico, designadamente quando escreve sobre a típica classe média europeia, nomeadamente sobre as questões económicas que afectam a sociedade civil. Em 2009, Enzensberger recebeu o Prémio Griffin de poesia. Os quatro poemas que se seguem foram traduzidos (as minhas desculpas, Professor João Barrento) do inglês, vertidos para alemão por Martin Chalmers e Esther Kinsky. Fazem parte do livro “A History of Clouds – 99 Meditations” (Seagull Books, 2010). Com a devida vénia,

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