Os olhos de Dulce - Henrique Castriciano


Um quê de estranho, forte e penetrante,

Há n’este olhar que as almas dilacera;

Tem um olhar de domador de fera,

Esta formosa e pálida bacante.

Quando ela passa, rindo, triunfante,

Murmuram todos: “ ri-se a Primavera!…”

Um colibri suspira: “ ai! Quem me dera

Beijar-lhe o róseo lábio provocante!”

Astros malditos, de lampejos vagos,

Têm os seus olhos chamas diamantinas

E ao mesmo tempo sensuais afagos…

Como eles matam! Dulce, a que destinas

Estes dois negros, traiçoeiros lagos,

Esta duas estrelas assassinas?


(Ruínas/1899)
-
Henrique Castriciano 

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