Noturno - (escrito à luz do amanhecer) Paulo Miranda Barreto


nasci deformado em letras

-só me interessa a palavra-
‘meus olhos nus violam violetas’
e o Sol . . . era de mim que ele raiava
se dava à luz zunindo
e reluzia
enquanto um céu noturno
me azulava

num tempo em que sequer deus existia
aos pés da poesia eu me prostrava
e ao pé da letra eu lia e soletrava
p-o-e-m-a. . .
-e nem sabia que eu sabia-

nasci deformado em letras
-só me interessa a poesia-

‘com lava a lua lava os azulejos’
de cada estrela nova cai um anjo
e Jeová inveja os meus desejos
bem como as heresias que eu esbanjo

eu soo bem verdadeiro quando finjo
atinjo o alvo e salvo os dias sujos
cravejo de safira os percevejos
e louvo a lentidão dos caramujos!

por bem, por mal, por vicio (ou por malícia)
cresci crucificando borboletas
e acumulando estrelas em gavetas. . .
nasci poeta
chamem a polícia!


-Paulo Miranda Barreto

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