Humanidade? - Radyr Gonçalves


A ironia que sangra o riso:
A bestialidade humana
O orgulho sem motivo
O desejo sem crivo
A sentença da rosa
A lâmina do cravo

Não estamos salvos!

Estamos perdidos no nosso mar de maldades
Somos a confusão
O caos
O inferno que pintamos
O dedo que apontamos
E dizemos: - Vamos!
Seguindo para o abismo

Temos fome da miséria alheia
Criamos armadilhas
Tecemos as teias
Para alguém – a quem chamamos de ´´inimigos´´- tombar

Destruímos qualquer lugar
Basta nos deixar lá por segundos
E tudo fica imundo
Lixo, morte, choro... E de repente o mundo vai-se num estouro...

Procuramos a morte
Roubamos o dote divino – a vida dos nossos corpos –
Trocamos a luz pela escuridão
O riso pela sujeira
A placidez pela poeira
Pelo nevoeiro que vai nos cegando e nos levando para um penhasco...

... Estamos morrendo sempre de uma morte desconhecida, ultimamente...


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Radyr Gonçalves 

2 comentários:

  1. A realidade nos oprime, nesse poema descreves bem isso. A nossa forma e lamento é esse, a palavra. Parabéns Radyr!

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  2. A realidade nos oprime, nesse poema descreves bem isso. A nossa forma e lamento é esse, a palavra. Parabéns Radyr!

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