Você precisa conhecer o poeta paranaense Valdeci Alves

Na nossa primeira apresentação do quadro POETAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER, apresentamos o poeta paranaense Valdeci Almeida. Com letras carregadas de lirismo e sublimação, o poeta viaja por entres as sendas místicas da poesia abordando temas variados, com uma linguagem simples e singular. Você precisa conhecer Valdeci Almeida:
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Restauração
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Renasço  entre as coisas simples...
Naturais,
paisagens...
entre elas cresci.

Num casebre, entre as asas de um bem-te-vi,
escalei  árvores frutíferas,
provei o sol, o céu
em mangas,
laranjas maduras...

Alvo fácil de Eros,
quedei-me adolescente...
coração partido
entre as rosas
espinhosas
da paixão.

Hoje,
do esquife do mundo adulto,
meu olhar, às vezes, escapa
à procura da vida
perdida
nesses inolvidáveis dias!

Homem de fios
desafios,
uma pane no peito,
restaurado com poesia.

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CHAMADO
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Mortas paisagens,
Impérios da pedra,
Vinde!
Eu as desabrocharei
Floridos campos.

Escuros céus,
Templos das sombras,
Vinde!
Eu os amanhecerei
Iluminado dia...

Corações de ódio cheios,
Almas vazias...
Vinde!
Vinde!
Vinde!
Eu os levarei à Poesia.

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 ESCONDE-ESCONDE
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Pela rua de chão,
Calçada de sol e sonho,
Passarinhos brincam de crianças...

E, detrás dos meus olhos adultos,
Um menino feliz salta o muro
Para a minha infância.
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PÔR -DE -SOL
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Parte o sol no ocidente... Já cumpriu
Seu oficio de o mundo iluminar!
Passa a bola da luz para o luar:
Balão de sonho pelo céu anil.

E para nos seus ninhos se abrigar
A passarada em festa regrediu.
Desgarrada, uma estrela lhes seguiu!
No teto do céu outras vão brilhar.

Das centelhas solares negro manto
Tecem os grilos por todos os cantos!
E forjam uma lua indescritível!

E o quedar da noite desfaz sombrio
Mais um pôr do sol que não aprecio
Junto de ti, meu amor impossível!


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FORMA INACABADA
Da escultura intermitente
Fica-me o hábito do prazer.”
Clarice Lispector
Do pó regredindo
Outra vez
Estou me refazendo.

Primeiro as mãos
E, com elas,
Os braços,
Tronco,
Pernas,
Coração...

Nunca me finalizo,
Pois, quando tento,
Sopra o vento
E leva ao chão
O que reestruturo...

(Mas,
Toda vez que amo,
Me inauguro.)


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Alguns Haicais



Noite pelo campo.
Estrelas... Aspiram sê-las
Muitos pirilampos.

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Chuva passageira.
Choveu rápido, esqueceu
Gotas na jaqueira.

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Chão, pedra, espinhos...
Para a lagarta, acrobata,
Tudo é caminho.


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Fim de festa.
Restos pela mesa...
A das moscas começa.

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Lua crescente.
Na boca da noite
Nasce um dente.

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Par de asas abertas...
Para uma bela viagem
Nos convida o livro!

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RONDEL
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O dia acordou mais belo,
Esplêndido, colorido!
Ah! Os ipês amarelos,
Novamente, estão floridos!

Pego a caneta e pincelo
Estes versos, comovido:
“Ah! os ipês amarelos,
Novamente, estão floridos!”

A esperança tem nesse elo
Muito mais verde e sentido:
Sob o azul do céu os belos
Ipês vicejam floridos...
O dia acordou mais belo!

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Valdeci Almeida


Biografia – Valdeci Alves de Almeida nasceu em Nova Esperança-PR. Reside, atualmente, em Paranacity-PR. Formado em Letras, apaixonado pela Literatura, já participou de diversos concursos literários e foi premiado. Tem participação em várias antologias literárias. Página Facebook:

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