Flores de Espera - Mell Shirley Soares


Sobre a relva macia de meus olhos caminha festiva a tua solidão a germinar unguentos à beira dessa estrada sem fim. E tua calma corre feito menino em meu riso, divertido sol desabrochando manhãs nas flores de minha espera.

És tão lindo! E gigante é tua força! E tua natureza, indomável!

Na fenda entre os espaços errantes brotou o meu amor, sobrevivente das águas desse rio seco de tua má querência. Esse amor de âmago desconfiado farejou a mornidade das tuas correntes, como um jovem felino, farejando o vento, saiu, pela primeira vez, da gruta e se aqueceu na brancura das nuvens da vastidão de tuas mãos.

Nessas noites de constelações silenciosas eu saio à chuva, abro minha boca e bebo de tua ambiguidade evaporada. Me ponho assim desaguada, para que me caibam as vertentes desse teu estranho querer - pequenas orquídeas que brotam nos teus sonhos e perfumam minha essência desadornada.


E se grito, sei que ainda podes me ouvir...

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Mell Shirley Soares

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