Augusto, ao timbre de Einstein


Olho capaz de ver-se a si mesmo.
Não o da abelha, multifacetado,
imóvel, alto, espelho simultâneo
de bosques de araucárias e violetas.

Não o do homem que não vê a nuca
por mais que vire o rosto e se contorça.
Mas o do monge em êxtase, pupila
Circunvidente, pálpebra de tudo.

Dentro do qual os cosmos se recriam,
Renascem gerações, há o descortínio
De ser, o meu, o corpo do infinito
Quando reverto à condição de luz.

-
Adelaide Petters Lessa

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