Ao anoitecer, um canto de Hilda Hilst!

                                                  
E através dos vitrais as faces duras
Contemplavam a tarde no jardim.
O movimento leve das figuras
Caía sobre a tarde e sobre mim.
Aspiravam o cheiro do jasmim.
Vistas de longe pareciam puras
Na claridade de uma tarde assim.
"É, sempre a mesma noite na tua face.
Enquanto choras há lá fora um canto.
Bem sei que a noite é imóvel na tua face
E não te peço alegria. Mas tu ardes. "


E no passeio as leves criaturas
Mas o amigo voltou-se e viu meu pranto.
Que de chorares tanto não o sabes.
HILST, Hilda. 

“Exercícios”. Organização e plano de edição Alcir Pécora, São Paulo, Globo – 2002. . In: Obras reunidas de Hilda Hilst, p. 60.

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