A prosa de Bia Cunha


Pra hoje eu quero criar um personagem pra mim, nada de ser eu mesma.

Vou ser uma escritora que vai narrar o espaço entre o olhar e o espanto de ver a lua de dia, ela vestiu-se de branco para passear sobre o azul de manhã cedo, se ela se preparou para umas voltas eu também peguei carona no seu rastro e me vesti de lápis para rabiscar umas passadas pelos devaneios da vida. Balancei o caderno e entortei as linhas. As joaninhas se equilibraram e suas bolinhas saíram do lugar, só que ela não perdeu a classe no desfile, rebolou bolinhas esverdeadas pelo meio fio do parágrafo, parece engraçado o começo que não se inicia não se reinicia e muito menos se cria. O alguém que narro pulou as entrelinhas, deixou a joaninha equilibrista, esbarrou nos três pontos seguidinhos, guardou segredos de girassol e miou para o elefante que saltava as cordas azuis de três linhas (paragrafo longo e leve como um bichinho tão meigo). Desdigo algumas tirinhas a mais e encaracolo outras linhas para ficar como o cabelo que já tive um dia, faceiro. As palavras que de pesada me cansaram agora voam pelas margens como poeira que não mais me turvam (e que os deuses das páginas soprem-nas para outros papéis).
Que eu nada criei, aquarelei uns pensamentos para ser um croqui de algum poema meu ou seu, quem sabe nosso…
Saravá!
Que eu nada criei, aquarelei uns pensamentos para ser um croqui de algum poema meu ou seu, quem sabe nosso…
Saravá!
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Bia Cunha



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