Ainda me queres? - Paulo Miranda Barreto


É porque te amo
que derramo rios
mansos e bravios
dentro dos teus mares

e se não me amares
ficarão sombrios
tristes e vulgares
meus céus luzidios

É porque te amo
que aclamo teus cios
com meus desvarios
e ávidos ardores

Se me deres dores
se me desprezares
quê farei das flores
e desses altares?

É porque te amo
que chamo o teu nome. . .
Tenho sede e fome
das tuas ternuras

Se ousares agruras
Ai! Se me deixares
cairei de alturas
espetaculares

É porque te amo
que inflamo o meu lume
e sinto ciúme. . .
e igualo-me ás feras

Se domo megeras
e armadilhas tramo
e queimo quimeras
é porque te amo

Se me abandonares. . .
se não mais quiseres
meus rios em teus mares. . .
meu corpo em teu leito

nunca mais me deito
com outras mulheres. . .
Se tu me deixares

morro . . . Ainda me queres?

-
Paulo Miranda Barreto


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